Villa Francioni - Vinhos e Vinhedos
Cantina
São Joaquim - SC
2002
 

Esta é a Cantina da Vinícola Villa Francioni em São Joaquim. Esta obra faz parte
do complexo projetado para a Villa Francioni, empresa idealizada pelo saudoso
Dilor Freitas, empresário empreendedor que acreditou  na possibilidade de produzir
vinhos finos de qualidade na região serrana de Santa Catarina. Nesta obra de 4.500 m2,
que por solicitação do empresário tem referências na região italiana da Toscana,
foram empregados tijolos reciclados de demolição, taipas de pedras do local, alvenarias
rebocadas e pintura em tons de verde e terracota. Diversos elementos construtivos
reciclados foram importados de antiquários uruguaios e incorporados à obra, incluindo
vitrais, portões e gradis de ferro, marcos e portas de madeira,
além de vários elementos de decoração.
 
 

Acima, vista panorâmica do empreendimento. À esquerda, a Casa Sede
e à direita a Cantina, ambas implantadas nas partes mais
elevadas da fazenda, com vista para os vinhedos.
 
 
   
 

A proposta para o projeto deveria estar apoiada em três conceitos
fundamentais: o primeiro, que o processo de elaboração dos vinhos
utilizasse a gravidade para a transferência entre os tanques de fermentação,
conceito da enologia em crescimento em todo o mundo. Assim, a cantina
foi desenvolvida em seis níveis aproveitando a encosta de um morro. Da
recepção da uva até cave dos espumantes, há um desnível de 23 metros.
As outras exigências eram: esteticamente, não se parecer jamais com uma
indústria, e aproximar-se de uma "Villa Toscana", remetendo
às origens da família Francioni.
 
 
   
 

Na implantação da Cantina, houve todo o cuidado para se encontrar o melhor
local, na encosta de um morro, respeitando a topografia sem interferir na
natureza existente. Todos os pinheiros foram preservados, e na construção
foi utilizada grande quantidade taipa de pedras da própria fazenda, valorizando
a identidade do lugar. As galerias e o elevador panorâmico estão voltados para as videiras.
 
 
 
   

Vista da Cantina desde a Casa Sede.
 
 
 
 

Acima, a praça de acesso, o hall de entrada com passagem
para veículos e o belvedere envidraçado.
 
  
   

Acima, imagem do hall de recepção externo. No forro, um vitral importado do
Uruguai transformado em luminária. Na parede, um painel em mosaico cerâmico,
obra da artista catarinense Tereza Martorano. A porta de entrada
em madeira entalhada foi importada de Bali, Indonésia.
 
 
 
   

Detalhe da fachada enfatizando os desníveis que são interligados pelo elevadorpanorâmico.
 
 
   
 

As videiras receberam cobertura com tela para proteção
contra intempéries, principalmente precipitação de granizo.
 
 
   
 

O Hall de entrada é também um espaço de exposições. Uma abóbada de
cinco metros de altura, toda construída com tijolos de demolição. Foram
utilizados mais de 220.000 tijolos reciclados aparentes em todo o complexo.
 
 
   
 

Outro ponto forte do projeto é a separação dos espaços de circulação dos
visitantes das áreas de elaboração. Vinho é alimento, e higiene é fundamental
no processo. Assim, as galerias promovem a visita aos ambientes em todos
os níveis, sem interferir no processo de produção, e são interligadas por
escadas e um elevador panorâmico. Vitrais e gradis reciclados
adquiridos em antiquários no Uruguai complementam a ambientação.
 
 
   
 

Há séculos, elaborar vinhos é uma arte, e com este conceito foi pensado todo
o projeto e a ambientação da Cantina Villa Francioni. Exímio conhecedor e
colecionador de obras de arte, Dilor Freitas tinha o pensamento de fazer
da Cantina um lugar único, onde a arte de elaborar vinhos de qualidade
convivesse em harmonia com a arquitetura e obras de arte
de várias épocas, num ecletismo elegante e original.
 
 
   
 

No interior, os níveis de elaboração se interligam visualmente. De qualquer
ponto da Cantina pode-se avistar e acompanhar todo o processo de
vinificação. A ventilação e iluminação naturais foram exploradas
para economia de energia e perfeita ambientação para os tanques,
funcionários e visitantes. A estrutura do telhado é toda em madeira,
apoiada em arcadas de tijolos aparentes, alvenaria e concreto armado.
 
 
  
 

A linha de engarrafamento, localizada no nível de estoque e expedição,
está instalada em uma cabine hermética. Externamente, o ambiente recebeu
painéis decorativos em mosaico cerâmico do artista Rodrigo de Haro. Os gradis
de ferro isolam a área de eleboração da circulação de visitantes, os quais
observam o processo de engarrafamento através da vitrine.
 
 
   
 

Quatro metros abaixo do nível da terra e encravada na rocha natural do terreno,
foi construída a cave dos vinhos tranqüilos. Abaixo desta, oito metros sob o solo,
está a cave dos espumantes. Com temperatura e umidade constante e controlada,
estas caves abrigam as barricas de carvalho francês e as garrafas de vinho
em processo de envelhecimento, ou fermentação pelo método "champanoise",
no caso dos espumantes. O teto, em abóbadas de tijolos reciclados aparentes e as
sancas de madeira com iluminação indireta e suave, colaboram para criar um
ambiente ao mesmo tempo rústico e elegante, como sugere
a tradição milenar dos ambientes de vinificação.
 
   
 
 

Esta é a sala para degustações profissionais. Clientes, enólogos, enófilos e
apreciadores do bom vinho, encontram um ambiente adequado para experimentar
e analisar todas as propriedades dos vinhos da Villa Francioni. No teto, um vitral foi
transformado em luminária e o nicho em arco abatido na parede foi especialmente
projetado para receber um arcaz de madeira de sete metros
de comprimento, transformado em enoteca.
 
   
 

Depois de conhecer o complexo e o processo da vitivinicultura, os visitantes são
recepcionados neste ambiente para degustação dos vinhos. Com vista panorâmica
para os para os vinhedos e para a paisagem natural da região, a sala possui lareira,
espaços de estar decorados com mesas de ferro e vidro, cadeiras e poltronas de ratam.
 
   
 

No espaço de degustação, foi privilegiada a localização de um bar todo em madeira de
carvalho vindo de um antiquário uruguaio (foto acima). A mobília da loja anexa, onde
são encontrados produtos da linha Villa Francioni, também foi importada e reciclada para
o local (foto abaixo). No teto, a estrutura de madeira composta por tesouras invertidas fica
aparente, de onde pendem os lustres de ferro e vidro colorido.
 
 


  

Em outubro de 2009, o projeto da Vinícola Villa Francioni foi selecionado para participar
da XII Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, em uma mostra de 30 projetos
de arquitetura no Estado de Santa Catarina com reconhecido potencial turístico.
Abaixo, reprodução do painel enviado à XII BienalBA. 



Ficha técnica:

Arquitetura e Interiores: Carneiro Arquitetos Associados - Criciúma - SC

Estrutura: Eng. Alexandre Vargas - Criciúma - SC

Elétrica: Eng. Itanor dos Santos - Criciúma - SC

Hidráulica: Arq. Helmy Berlinck Jr. - Criciúma - SC

Efluentes: Ambiental - Bento Gonçalves - RS

Paisagismo: Viveiro Úrsula – Nova Petrópolis - RS

Execução: Fetz Engenharia – Videira - SC

Coordenação: Jorge Pedroso - Criciúma - SC

Também fazem parte do complexo a Casa Sede da Fazenda, a Casa de Apoio, o Portal de entrada e a Estação de Tratamento (ETE).



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